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Singapura é uma cidade-Estado de seis milhões de habitantes, sem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, sem arsenal nuclear e com um orçamento de defesa inferior a US$ 20 bilhões. Na edição de julho de 2026 do Henley Passport Index, seus cidadãos podem entrar em 192 de 227 destinos sem um visto obtido com antecedência. Os Estados Unidos destinaram US$ 886 bilhões à defesa nacional no ano fiscal de 2024, mantêm, segundo uma estimativa de 2021, 750 bases militares no exterior e dividem o 10º lugar no mesmo índice, com 180 destinos.
Se o poder de um passaporte dependesse do alcance militar, a conta daria o resultado inverso. O Henley Passport Index mede algo diferente do que o nome sugere, e a suposição de que o poder nacional se converte de forma confiável em privilégio nacional precisa ser revista.
O que o índice mede
O Henley Passport Index é publicado desde 2006 com base em dados fornecidos pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a mesma organização que as companhias aéreas consultam para decidir quais passageiros precisam ter o visto verificado antes do embarque. A Henley atualiza seus dados todo mês e publica edições principais várias vezes por ano, classificando 199 passaportes pelo número de destinos, entre 227 possíveis, em que seus portadores podem entrar sem obter visto com antecedência. Um destino conta se admite os portadores daquele passaporte por meio de uma isenção bilateral formal, de um visto na chegada, de uma autorização eletrônica de viagem ou sem nenhuma exigência de permissão prévia.
O índice deixa de fora a influência diplomática, a projeção militar, a produção econômica e o soft power em todas as suas formas habituais. Sua pontuação é a soma das decisões tomadas por todos os outros governos sobre exigir ou não visto dos cidadãos daquele país antes que eles partam.
Um governo que concede aos cidadãos de outro país acesso sem visto está fazendo uma avaliação burocrática de risco, e a decisão não implica nenhum aval à política ou às conquistas desse país. A pergunta que importa é se o portador desse passaporte tende a ultrapassar o prazo do visto, buscar trabalho não autorizado ou se tornar um peso para os serviços públicos. Os países que pontuam bem no índice da Henley são, de modo geral, aqueles cujos cidadãos os outros governos julgaram de baixo risco nesses quesitos, e esse julgamento equivale a confiança, que é coisa distinta de respeito e de poder.
Steffen Mau e colegas compararam as políticas de isenção de visto de mais de 150 países em 1969 e em 2010. A mobilidade sem visto cresceu no conjunto, mas os ganhos foram desiguais: os cidadãos dos países ricos da OCDE acumularam acesso, enquanto os direitos de mobilidade em outras regiões, sobretudo na África, estagnaram ou encolheram, um padrão que os autores chamaram de “fosso global de mobilidade”. A lógica subjacente é coerente: os governos abrem as fronteiras com mais facilidade aos portadores de passaportes de países ricos e restringem os de lugares que associam a riscos de segurança ou de imigração. Lido assim, o índice registra, no agregado, o grau de confiança dos outros governos de que os cidadãos de um país voltarão para casa quando disserem que vão voltar.
Ao longo dos vinte anos de história do índice, países subiram e caíram, e o movimento segue um padrão.
Índices concorrentes
A Henley não é a única organização que publica um ranking de passaportes. O Passport Index da Arton Capital conta um conjunto mais restrito de 199 destinos (os 193 Estados-membros da ONU mais seis territórios), também credita os vistos eletrônicos emitidos em até três dias úteis e é atualizado em tempo real. Essas escolhas fazem diferença: no índice da Arton, os Emirados Árabes Unidos ocupam o primeiro lugar, à frente de Singapura, com uma pontuação de mobilidade de 182 em 2026. O país chegou ao topo pela primeira vez em 2018 e, salvo uma queda durante a pandemia, mantém a posição desde então.
O Nomad Passport Index acrescenta às suas variáveis a carga tributária, as regras de dupla cidadania e a percepção da nacionalidade, e seus rankings atendem a outro público: pessoas de alto patrimônio que avaliam onde ter cidadania, e não governos que avaliam políticas bilaterais de vistos. Países bem colocados na Henley às vezes se saem pior na pontuação composta da Nomad, e vice-versa. Cada índice responde a uma pergunta diferente. A utilidade específica da Henley está em usar, há tempo suficiente para acompanhar mudanças ao longo dos anos, um conjunto de dados consistente e neutro: as informações de viagem da IATA.
A arquitetura da confiança bilateral
Cada governo decide por conta própria se concede acesso sem visto, às vezes de forma unilateral, às vezes num acordo recíproco, e o índice da Henley registra como esse acesso se acumula. A maior parte dele vem de algo mais próximo da subscrição de seguros do que da diplomacia no sentido romântico: cada governo põe preço no risco de que os visitantes não voltem para casa.
Os governos estendem o acesso sem visto quando acreditam que o custo de fazê-lo é menor que o atrito de exigir vistos. O cálculo leva em conta várias variáveis. O PIB per capita serve de indicador para saber se os cidadãos têm incentivo financeiro para ficar depois de admitidos — populações de alta renda têm estatisticamente menos probabilidade de ultrapassar o prazo do visto, porque perderiam mais se não voltassem para casa. As taxas históricas de recusa e de permanência irregular dos cidadãos daquele país pesam muito, porque medem diretamente o risco que os burocratas tentam precificar. Volumes de comércio bilateral criam incentivos políticos para que os dois lados reduzam o atrito nas viagens. A participação em arranjos regionais pode mudar o cálculo por inteiro.
A União Europeia negocia como bloco. Sua política comum de vistos e os acordos de isenção firmados em nível europeu estendem as mesmas condições aos cidadãos de todos os Estados-membros participantes (todos, exceto a Irlanda, que mantém regras próprias de vistos), abrindo portas que um país pequeno talvez nunca conseguisse abrir sozinho. O bloco também exige reciprocidade, e as exceções mostram quanto o julgamento bilateral ainda pesa. A UE obteve viagens sem visto para seus cidadãos junto a todos os parceiros isentos de visto, exceto os Estados Unidos, que ainda exigem visto dos cidadãos da Bulgária, de Chipre e da Romênia. A Romênia foi admitida no Visa Waiver Program, o programa americano de isenção de vistos, em janeiro de 2025, mas a designação foi revogada em maio daquele ano. A ASEAN funciona de modo parecido, embora menos formal: ser membro insere o Estado num conjunto de relações institucionais que outros governos leem como prova de estabilidade e de prestação de contas.
A posição de Singapura no topo do índice é fruto de uma construção deliberada ao longo de sessenta anos. Separada da Malásia em agosto de 1965, Singapura participou dois anos mais tarde da fundação da ASEAN, inserindo-se de imediato numa arquitetura regional de cooperação. O governo de Lee Kuan Yew e seus sucessores construíram uma reputação de probidade financeira, baixa criminalidade e rigor no controle da imigração. Essas qualidades pesam a favor de Singapura junto a outros governos, que tendem a ver num Estado que controla as próprias fronteiras um país cujos cidadãos dificilmente violarão as dos outros. Desde então, Singapura implementou 29 acordos de livre-comércio bilaterais e regionais, uma rede comercial que dá a dezenas de governos interesse direto em facilitar as viagens de e para a cidade-Estado.
A trajetória dos Emirados Árabes Unidos mostra a mesma lógica em forma condensada. Em 2006, o passaporte emiradense ocupava o 62º lugar. Em julho de 2026, havia subido para o segundo lugar, empatado, com 188 destinos, depois de somar 153 destinos sem visto pelo caminho, o maior ganho de qualquer passaporte na história do índice. A escalada veio de uma política deliberada: o governo dos Emirados investiu pesado em aproximação diplomática, posicionou o país como polo global de trânsito e de finanças e negociou acordos de isenção de vistos como instrumentos de política econômica externa.
Um livro-caixa de escolhas
Em 2014, os Estados Unidos dividiam o primeiro lugar do índice da Henley com o Reino Unido e vários outros países. Em outubro de 2025, saíram do top 10 pela primeira vez na história do índice. Em janeiro de 2026, tinham voltado ao 10º lugar, com 179 destinos, e na edição de julho de 2026 continuavam em 10º, com 180. A queda é relativa: a contagem americana subiu ligeiramente, de 174 para 180, nesses doze anos, enquanto dezenas de outros passaportes ganharam muito mais, e o índice registra apenas a posição que resulta disso.
O Brasil voltou a exigir visto de cidadãos americanos em 10 de abril de 2025, alegando falta de reciprocidade: os brasileiros há muito tempo precisam de visto para entrar nos Estados Unidos, e o governo brasileiro concluiu que esse arranjo já não refletia uma relação entre iguais. A China deixou os EUA fora de sua lista de isenções, cada vez maior; o Vietnã excluiu os americanos de suas mais recentes isenções de visto; e mudanças em Papua-Nova Guiné e em Mianmar, seguidas pelo novo sistema de visto eletrônico da Somália, corroeram ainda mais a pontuação americana em 2025. Nem todas essas decisões tinham Washington como alvo, mas, juntas, mostram com que rapidez uma pontuação se desgasta quando um país fica fora das listas de outros governos.
Parte da causa de fundo aparece em outra métrica da Henley, o Openness Index (índice de abertura), que conta quantas nacionalidades um país admite sem visto. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos estavam em 78º lugar entre 199 países e territórios nessa medida, admitindo 46 nacionalidades sem visto. Um país que admite apenas 46 nacionalidades sem visto está, na prática, sinalizando a cerca de 150 outros países e territórios que seus cidadãos não gozam de confiança automática. Esses governos podem, com razão, devolver uma cautela semelhante.
O mesmo mecanismo que explica como Singapura construiu a pontuação de seu passaporte, por meio de sinais constantes de estabilidade, confiabilidade e abertura, funciona ao contrário para um país que fez outras escolhas. A queda dos EUA no ranking da Henley é essa lógica em ação, com o índice registrando, sem comentário editorial, o que outros governos decidiram.
O que vem a seguir
Em dezembro de 2025, o Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) publicou uma proposta que exigiria dos cidadãos dos 42 países do Visa Waiver Program, entre eles o Reino Unido, a França, a Alemanha e o Japão, o envio de um volume extenso de dados pessoais antes de viajar aos Estados Unidos sem visto: cinco anos de histórico em redes sociais, os números de telefone usados nos últimos cinco anos, os endereços de e-mail usados nos últimos dez e informações sobre familiares.
O período de consulta pública terminou em 9 de fevereiro de 2026. Em maio de 2026, a CBP disse que estava reformulando a proposta à luz dos comentários e que poderia limitar as perguntas adicionais a “certas populações” selecionadas por avaliação de risco, em vez de todos os viajantes. Em outubro de 2026, a CBP ainda não havia publicado no Federal Register o aviso complementar que precisa anteceder a aprovação, e informar as contas de redes sociais no formulário do ESTA continuava opcional. Associações europeias de turismo alertaram que o efeito cumulativo tornaria as viagens aos EUA “mais complexas, intrusivas e menos acessíveis”. Se adotada, a medida acrescentaria atrito justamente ao tipo de viagem sem visto sobre o qual a reciprocidade se constrói.
A lógica da não ameaça
No topo do índice da Henley de julho de 2026 está Singapura, com 192. Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos dividem o segundo lugar, com 188, e a Suécia é a terceira, com 187, seguida de um aglomerado denso de países europeus. Deixando o poder de lado, a pergunta útil sobre essa lista é o que esses países têm em comum aos olhos dos outros governos.
O Japão oferece um exemplo. O artigo 9 da Constituição japonesa de 1947 renuncia à guerra e à manutenção de potencial bélico. Na prática, o Japão mantém as Forças de Autodefesa e parcerias de segurança com os Estados Unidos, mas não conduz operações militares ofensivas no exterior desde 1945. Oito décadas depois, o resultado é um país com densas redes comerciais, uma das cinco maiores economias do mundo e nenhum histórico recente de usar o alcance militar de maneira a gerar relações de antagonismo. Poucos governos temem que turistas japoneses cheguem com objetivos políticos. O caso da Coreia do Sul funciona de modo parecido. O país travou uma guerra no próprio território e passou a maior parte das sete décadas seguintes construindo redes comerciais e exportando cultura; seu maior envio de tropas a uma guerra no exterior, cerca de 320 mil soldados mandados ao Vietnã entre 1964 e 1973, ficou meio século para trás. A Coreia do Sul acumulou um conjunto de relações internacionais muito diferente do que suas circunstâncias no pós-guerra fariam prever.
O caso de Singapura vai além, porque seu prêmio de não ameaça vem de uma reputação cultivada, e não de um dispositivo constitucional. Singapura tem parcerias de segurança e mantém forças armadas bem equipadas para o seu tamanho, mas os governos que importam para a pontuação de seu passaporte não a veem como fonte de pressão geopolítica. Ela está inserida num arranjo regional sem dominá-lo e mantém relações com países que, de resto, vivem em tensão entre si. A posição que conquistou é a de uma neutralidade útil, uma abertura que faz de Singapura um lugar com o qual outros governos querem manter boas relações, e algo diferente da neutralidade formal da Suíça, que carrega uma história própria.
O que esses casos têm em comum é o prêmio de não ameaça. Quando um país não gera ressentimento, não representa um risco percebido à segurança e não dá a ninguém um incentivo político interno para demonstrar firmeza em relação a ele, os outros governos não têm base política para restringir seus cidadãos, e o país acumula isenções de visto quase por inércia. Nenhum ministro em Copenhague precisa mostrar aos eleitores que está barrando turistas singapurenses, e a pressão política para restringir viajantes japoneses é rara; quando a China excluiu brevemente cidadãos japoneses e sul-coreanos de seu regime de trânsito sem visto, em janeiro de 2023, estava retaliando restrições que esses governos haviam imposto a viajantes chineses durante a pandemia.
O inverso descreve a posição dos EUA: um país que projeta poder, gera ressentimento ou sinaliza que os cidadãos de outros países não são especialmente bem-vindos cria condições para que surja uma base política favorável a restringir seus cidadãos. Nem todo governo age com base nisso, mas os que agem bastam para mexer nos números.
Como é a base da tabela
A distância entre os passaportes mais e menos poderosos aumentou muito desde a criação do índice. Na edição de julho de 2026, os cidadãos de Singapura têm acesso a 192 destinos, e os do Afeganistão, a 22. A distância entre esses dois números é de 170 destinos, ante 118 quando o índice foi lançado, em 2006.
O passaporte médio hoje abre 108 destinos sem visto prévio, ante 58 em 2006, mas os ganhos foram distribuídos de forma desigual, num padrão que não acompanha o risco objetivo em nenhum sentido neutro.
As taxas de recusa de vistos Schengen tornam o padrão legível. A Henley calcula que a taxa de recusa de pedidos de visto de solicitantes africanos para o espaço Schengen passou de cerca de 19% em 2015 para cerca de 27% em 2024, muito acima da taxa de 14,8% registrada naquele ano para o conjunto dos solicitantes do mundo todo. Em 2024, a taxa de recusa da Argélia foi de cerca de 35%; a da China ficou abaixo de 5%.
O professor Mehari Taddele Maru, em texto escrito para a Henley, toma emprestado o termo acadêmico “discriminação racial condicional” para descrever o que esses padrões de recusa revelam: uma estrutura em que a nacionalidade impressa no passaporte, mais do que as circunstâncias de cada solicitante, define a probabilidade de acesso. Outros pesquisadores fazem essa estrutura remontar ao próprio regime de passaportes. Anam Soomro argumenta que a universalização do regime de passaportes sob a Liga das Nações distorceu a liberdade de movimento, antes tratada como um direito humano inato, transformando-a num sistema que hierarquiza a mobilidade segundo a origem nacional. John Torpey descreve como os Estados modernos passaram a monopolizar os “meios legítimos de movimento”, tornando as pessoas dependentes da permissão do Estado para cruzar fronteiras.
A ligação entre essa história e a distribuição atual exige cuidado. Em outubro de 1920, a Liga das Nações reuniu vinte e dois Estados em Paris para uma conferência sobre passaportes e formalidades alfandegárias, que padronizou o primeiro formato internacional de passaporte num momento em que os Estados com mais influência sobre o processo eram também os donos dos maiores impérios. Em vez de declarar uma hierarquia racial, a conferência embutiu nas viagens internacionais um sistema técnico cujos efeitos práticos reproduziam uma. Esse sistema continua em funcionamento, e a taxa de recusa de 2024 para solicitantes argelinos de vistos Schengen se encaixa em seu padrão.
A exceção dos Emirados
A escalada dos Emirados Árabes Unidos do 62º lugar ao segundo lugar empatado complica qualquer leitura da distribuição atual como uma hierarquia fixa. A hierarquia não é fixa, mas o único país que subiu nela partindo de tão baixo o fez com duas décadas de aproximação diplomática contínua, acordos recíprocos de vistos e cultivo de um perfil nacional de baixo risco.
Os Emirados levaram a esse projeto a riqueza do petróleo, um governo capaz de executar objetivos de política externa de longo prazo e uma cidade, Dubai, que lhes deu peso como polo global de trânsito. Poucos países nas posições inferiores do índice conseguem reunir as três. A exceção dos Emirados deixa de pé o argumento estrutural e mostra o que foi preciso para sair dos patamares inferiores no único caso em que isso aconteceu. Para a maioria dos países cujos cidadãos enfrentam taxas de recusa Schengen acima de 20%, nada comparável está ao alcance.
O que o número significa
São os outros governos que definem a pontuação de um passaporte. Ela soma a avaliação coletiva deles, distribuída por 227 decisões de destino, sobre se os cidadãos de um país são bem-vindos.
Vistos por esse ângulo, os números americanos ganham outra leitura. O 78º lugar dos EUA entre 199 no Openness Index da Henley é uma métrica sobre a política de imigração americana, e é também parte da causa original da pontuação do passaporte americano, porque é um dos sinais que outros governos leem ao decidir se oferecem reciprocidade. Foi o que o Brasil disse quando voltou a exigir vistos em 2025.
A distância entre Singapura e o Afeganistão reflete o mesmo mecanismo operando sobre dados de entrada diferentes. Singapura passou sessenta anos construindo os sinais que outros governos recompensam. O Afeganistão passou boa parte do mesmo período como palco de disputas entre grandes potências, de guerra civil e de rupturas políticas impostas de fora, condições em que construir qualquer um desses sinais é quase impossível. Para as pessoas que têm um ou outro passaporte, essa distância registra as circunstâncias em que nasceram e as escolhas que os governos à sua volta fizeram.
O que um ranking de passaportes registra é um veredito distribuído e descoordenado: a soma das autoridades por trás de 227 destinos, cada uma agindo no próprio interesse e respondendo à própria política interna enquanto pesa o risco percebido e a reciprocidade esperada. Os países mais poderosos, pelos critérios convencionais, não necessariamente se saem melhor; quem se sai melhor são aqueles que os outros governos decidiram, em conjunto, que se sentem à vontade em ter por perto.
Cada um dos 199 passaportes do índice traz um número que é o resíduo de milhares de cálculos bilaterais individuais. Numa ponta dessa série, os cidadãos têm acesso a 192 dos 227 destinos acompanhados pelo índice sem um visto obtido com antecedência; na outra, a 22. O índice que registra essa distância, de 170 destinos na edição de julho de 2026 contra 118 em 2006, é compilado a partir dos mesmos dados que as companhias aéreas usam no check-in.
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Mídia
Principais fontes e referências
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